Em Assembléia Geral promovida pelo SINPOL-SC, o Sindicato dos Policiais Civis Catarinenses, na Região Metropolitana de Florianópolis, para discutir meios de pressionar o governo quanto ao atendimento de reivindicações da categoria, estiveram presentes mais de 500 policiais, que unidos sob voz única, pedem ao governo a compactação do plano de carreira de 8 para 4 niveis, adicional de 25 % ao aposentar (o equivalente a promoção recebida pelos Policiais Militares) e pagamento na forma de subsídio, conforme reza a legislação, englobando todos os abonos, vale alimentação e horas extras obrigatórias. Além destas melhorias, os policiais solicitam a fixação do vencimento inicial em R$ 1515,00, já que atualmente o valor é de R$ 781,00, mesmo diante da exigência da escolaridade de nível superior para o cargo. Do lado do governo, há alegação de que o policial civil ganha em inicio de carreira aproximadamente R$ 2000,00. Mas para chegar a este valor, o governo conta os abonos por exercício de função policial (R$ 590,00), somados às horas extras, noturnas e ao vale alimentação (R$ 126,00!). Se o policial sofre qualquer acidente de trabalho e precisa se aposentar ou se afastar do serviço, sua remuneração líquida é cortada em mais de 40%. O resultado disto é policial trabalhando mesmo estando doente e a relutância, daqueles que já cumpriram seu tempo de serviço, em se aposentar.
Os resultados práticos da aprovação das melhorias solicitadas pelos policiais é o que interessa à população: eficiência e maior qualificação dos policiais que lhes atenderão. Por que digo isto? Com aprovação das melhorias reivindicadas, haverá uma verdadeira renovação na polícia civil. Com policiais que já cumpriram seu tempo de serviço se aposentando, o governo terá que realizar mais novas contratações. Contratações de pessoas que receberão um salário compatível com o nível de escolaridade exigida e que, com vagas para promoções liberadas pelas aposentarias que serão cumpridas, chegarão ao último nível da carreira ao cumprirem 30 anos de serviço, se aposentando com dignidade.
Com isto se resolverá um dos maiores problemas atuais em nossa instituição: o êxodo de pessoas qualificadas em busca de melhores salários. Pessoas cuja formação policial custou milhares de reais aos cofres do governo, mas que diante das condições de trabalho, se desencantam, mesmo tendo vocação para o exercício da função, e partem. São cerca de 60 pedidos de exoneração por ano. Somente em Porto União, neste ano, tivemos dois casos, de um agente e de um escrivão, ambos para trabalharem no Poder Judiciário, com um salário duas vezes maior que o reivindicado por nossa categoria, mas com a exigência de somente ter ensino médio, sem risco de vida e com carga horária bem menor, além de um vale alimentação, que por si só, é maior que o atual vencimento inicial de um agente de polícia: R$ 896,00.
Hoje, as investigações policiais são cada vez mais sofisticadas. Isto se dá por que mais e mais se faz importante a prova técnica, científica, diante de modernos meios encontrados por criminosos para levar adiante seus intentos. O estado não pode se dar ao luxo de perder novos talentos e pessoas vocacionadas, arriscando privar a população da segurança pública que merece.
Como exigir comprometimento de um profissional mal remunerado, em uma função em que arrisca sua vida e trata de questões afetas ao direito de liberdade do outro, sofrendo pressões constantemente? Que muitas vezes deixa sua família em casa, e sai atrás de assaltantes e traficantes, com colete balístico VENCIDO, não sabendo se volta pra casa?
Peço a gentileza de nos ajudar, informando de nossa luta as pessoas que você conhece, pois tudo o que pedimos é poder trabalhar com dignidade e honestidade, sem precisar fazer bico, nos preocupando se amanhã ainda teremos condições de suprir nossas famílias, se teremos que trabalhar doentes ou pior, ser ferido e não ter dinheiro para cumprir nossas obrigações, sem se endividar pra comprar um remédio. Por que policial que trabalha fazendo investigação não tem tempo pra bico. Se fizer bico, a população deixa de ser atendida.
